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A importância da correta amostragem de solo para não errar na adubação
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Todos sabemos que tempo é dinheiro e na agricultura não é diferente, veja o artigo abaixo e entenda mais!

Quando ainda era acadêmico de agronomia, numa das inúmeras aulas de fertilidade de solo que tive, meu professor de fertilidade, o inesquecível Prof. Dr. Xavier de Almeida Neto, conhecido por todos como “Prof. Xan” disse uma frase que ficou gravada em minha memória e que me acompanha até hoje em minha atividade profissional: “ o resultado de uma análise de solo não pode ser melhor que a amostra desse solo”.

De posse desse ensinamento, já formado e iniciando minhas atividades profissionais, comecei a observar a forma de amostragem de solo usualmente utilizada pelos colegas agrônomos e técnicos agrícolas espalhados por este Goiás a fora. Fiquei surpreso com o que vi.
Não raras as vezes que pude presenciar pessoas, fossem profissionais ou leigos, responsáveis por coletas, coletarem somente duas ou três sub-amostras para comporem uma amostra e isso por gleba. Ví também, coletas serem realizadas com uma única sub-amostra para representar glebas de até 200 hectares.
 
 
Ao serem perguntados sobre o porque de tão poucas amostras, muitos alegavam falta de tempo para uma coleta minuciosa, outros alegavam ser uma atividade trabalhosa para seguir as recomendações de pesquisa.

Um absurdo de qualquer forma, considerando as inúmeras variações que podem ocorrer em glebas com essas dimensões e, com isso, a fertilidade não será corretamente quantificada na análise e as práticas de correção de fertilidade podem estar sendo sub ou superestimadas. Vale lembrar quem em tempos de adubo caro e eficiência na agricultura, não se pode dar ao luxo de desperdício desse insumo.

Heitor Cantarella, renomado pesquisador e Doutor em fertilidade de solo, afirma que é preciso conhecer em pouco sobre as razões da variabilidade de resultados de análise de solo. A mais importante é a decorrente de erros na amostragem a campo.
 
Ensina o ilustre professor que é preciso, ao coletar amostras compostas, considerar as características do solo em estudo, tais como: homogeneidade do solo, da cor, posição no relevo, manejo, adubação anterior e não misturar amostras de glebas diferentes.
 
Cuidado especial também é necessário para com o número de sub-amostras por área para formar a amostra composta. Segundo ele, são necessárias pelo menos 15 sub-amostras por área para se ter alguma garantia de representatividade.

 
A porção de solo que chega ao laboratório representa uma diminuta fração de toda a área que se deseja analisar, desta forma esta porção de terra deve ser o mais representativo possível da área, logo, a amostragem não é uma prática simples. Ela deve ser rigorosamente executada, seguindo instruções baseadas nas considerações científicas já estudadas.

Até os diferentes tipos de ferramentas utilizados nas coletas podem interferir no resultado final das análises. São conclusões dos pesquisadores Fabiano Andrei Bender da Cruz e Alexandre Christófaro Silva, ambos da Unifenas, em recente trabalho científico intitulado: INFLUÊNCIA DE DIFERENTES FERRAMENTAS NA COLETA DE AMOSTRAS DE TERRA, EM ÁREA DE FLORESTA, NOS RESULTADOS DE ANÁLISES QUÍMICAS DE ROTINA. Portanto além de todos os critérios já mencionados para uma correta amostragem de solo, deve-se considerar o tipo de ferramenta utilizada.

Uma amostra não representativa, por qualquer um dos motivos já citados, poderá constituir-se numa das maiores fontes de erro, podendo ser superior a 50%, refletindo na correta avaliação da fertilidade da área, comprometendo o correto posicionamento de calagem, gessagem e adubação dessa área.
 
Os outros 50% de erro podem ser creditados à má escolha do laboratório para análise dessas amostras. Contudo fica a pergunta.
 
De que forma o laboratório pode influenciar no resultado final de uma análise de solo? De muitas formas. Funcionários não qualificados, aferição inadequada de equipamentos, má qualidade dos reagentes e extratores, falta de critério no preparo das amostras e soluções, incluindo aí a armazenagem em locais impróprios e seu uso em tempo hábil. Mas essa questão de laboratório é assunto para outro artigo.

O fato é que para se ter um resultado de análise de solo confiável é necessário, a princípio, realizar uma correta amostragem do solo e isso é responsabilidade de todos nós consultores.

Artigo por: Nilton Gomes Jaime
É Eng. Agrônomo, consultor e proprietário da Cerrado Consultoria Agronômica e Mestrando em Produção vegetal pela EA/UFG.
 

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